
IGREJA
DA PAMPULHA
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PRAÇA DA LIBERDADE
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CASA DO BAILE
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PRAÇA
DA ESTAÇÃO
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PRAÇA DO PAPA
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FEIRA DE ARTESANATO
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MINEIRÃO
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MUSEU
DE ARTE DA PAMPULHA
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PARQUE
MUNICIPAL
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UMA LIÇÃO DE HISTÓRIA
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Apresentação
Cronologia
Tempos de Arraial
Mudança da Capital
O Planejamento
Os Primeiros Anos
Anos 20 e 30
Anos 40 e 50
Anos 60 e 70
Anos 80 e 90
Apresentação
Na
origem de toda cidade existe um sonho. Deixando para trás
o que têm, aventureiros que partem para fazer a vida
em um local desconhecido carregam consigo apenas a esperança
de dias melhores. Para eles, só o futuro importa. Misterioso,
ele desafia o homem, ao mesmo tempo prometendo prosperidade
e ameaçando com incertezas e dificuldades. A história
de Belo Horizonte não é diferente. Planejada
para ser a capital de Minas Gerais, a cidade surgiu num período
marcado por muitas transformações. A Abolição
da Escravatura e a Proclamação da República,
os progressos da ciência e da indústria se espalhavam
no ar uma onda de otimismo, fazendo com que se acreditasse
possível construir uma sociedade perfeita. Imigrantes
estrangeiros, mineiros do interior e gente de todas as partes
do país vieram para cá. Buscavam empregos, melhores
oportunidades de vida e, sobretudo, a modernidade. Esses bravos
sonhadores ergueram a Nova Capital. Hoje, passados cem anos,
aquela aventura tornou-se memória. Os sonhos dos pioneiros
deram lugar à realidade. Nem tudo saiu como planejado.
Desde cedo, Belo Horizonte enfrentou problemas e logo constatou
que a perfeição era inalcançável.
A capital desenhada por técnicos e engenheiros, estudada
e planejada com rigor científico era um cidade habitada
- mais do que o traçado de suas ruas, mais que de prédios
construídos, a cidade é feita de pessoas. E
é no movimento diário dessa gente, no trabalho,
nas escolas, nas lutas do dia-a-dia que ela ganha vida. Nenhum
plano, por mais rigoroso que fosse, seria capaz de torná-la
perfeita. Mas, certamente, são as ações
de cada um de seus cidadãos que podem fazer da cidade
um lugar mais humano, mais justo e melhor de se viver. Esta
é, precisamente, a maior lição que nos
ensina a história de Belo Horizonte.
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Célio de Castro
Ex-prefeito de Belo Horizonte
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Tempos de Arraial
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Um
arraial pacato, de gente ordeira e cortês
Foi
à procura de ouro que, no distante 1701, o bandeirante
João Leite da Silva Ortiz chegou à serra de Congonhas.
Em lugar do metal, encontrou uma bela paisagem, de clima ameno
e próprio para a agricultura. Resolveu ficar: construiu
a Fazenda do Cercado, onde desenvolveu uma pequena plantação
e criou gado. O progresso da fazenda logo atraiu outros moradores
e um arraial começou a se formar em seu redor. Viajantes
que por ali passavam, conduzindo o gado da Bahia em direção
às minas, fizeram da região um ponto de parada.
O povoado foi batizado de Curral del Rei. Da serra de Congonhas
mudou-se o antigo nome: é hoje a nossa Serra do Curral.
Nossa Senhora da Boa Viagem, a quem os forasteiros pediam proteção,
tornou-se padroeira do local. Aos poucos, o Curral del Rei foi
crescendo, apoiado na pequena lavoura, na criação
e comercialização de gado e na fabricação
de farinha. Algumas poucas fábricas, ainda primitivas,
instalaram-se pela região: produzia-se algodão,
fundia-se ferro e bronze. Das pedreiras, extraía-se granito
e calcário. Frutas e madeiras eram vendidas para outros
locais. Com a decadência da mineração, o
arraial se expandiu. Das 30 ou 40 famílias existentes
no início, saltou para a marca de 18 mil habitantes.
Elevado à condição de Freguesia, mas ainda
subordinado a Sabará, o Curral del Rei englobava as regiões
de Sete Lagoas, Contagem, Santa Quitéria (Esmeraldas),
Buritis, Capela Nova do Betim, Piedade do Paraopeba, Brumado
Itatiaiuçu, Morro de Mateus Leme, Neves, Aranha e Rio
Manso. Vieram as primeiras escolas, o comércio se desenvolveu.
No centro do arraial, os devotos ergueram a Matriz de Nossa
Senhora da Boa Viagem. Esse ciclo de prosperidade, contudo,
durou pouco. AS diversas regiões que constituíram
o arraial foram se tornando autônomas, separando-se dele.
A população rapidamente diminuiu e a economia
local entrou em decadência. Já no final do século
passado, restavam mais de 4 mil habitantes. Sua rotina era simples
e monótona. Começava cedo, no trabalho de casa
ou na lavoura, e terminava às dezenove horas, quando
muitos já começavam a se recolher. Durante o dia,
a Farmácia Abreu era o ponto de encontro preferido para
o bate-papo. à noite, as mulheres faziam novenas, enquanto
os homens improvisavam um botequim no Armazém Esperança.
De vez em quando, uma serenata fazia as janelas se abrirem.
Apenas nos fins-de-semana o arraial ganhava vida, quando os
moradores das redondezas vinham ouvir a missa ou visitar parentes
e fazer compras. Em datas especiais, o arraial tornava-se mais
alegre: nas Festas Juninas, no Natal ou no Dia da Padroeira
os festejos eram certos. A Proclamação da República,
em 1889, vem trazer aos curralenses a esperança de transformações.
Para entrar na era que então se anunciava, deixando para
trás o passado monárquico, aos sócios do
Clube Republicano do arraial propuseram a mudança de
seu nome para Belo Horizonte. Foi nesse clima de euforia que
os horizontinos receberam a notícia da nova construção
da nova capital. Durante três dias o arraial se pôs
em festa, com missa solene, discursos, bandas de música
e bailes. Seus habitantes já sonhavam com modernização
e o progresso que a capital traria para a região. Nem
imaginavam que, nos planos dos construtores, não havia
espaço reservado para eles.
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Mudança da Capital
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A
luta pela mudança
A
discussão sobre a mudança da capital mineira não
surgiu no século passado; era, ao contrário, uma
idéia muito antiga. A primeira tentativa de transferir
a sede do Governo para uma cidade diferente de Ouro Preto data
de 1879, quando os inconfidentes planejaram instalar a capital
de sua república em São João Del Rei. Depois
disso, mais quatro tentativas foram feitas, todas fracassadas.
A questão só veio a ser considerada após
a Proclamação da República. Só que
dessa vez, não se trava de uma simples transferência,
mas a construção de uma nova cidade. Uma série
de fatores favorecia a idéia de mudança. Em primeiro
lugar, para se destacar o novo cenário republicano, Minas
Gerais precisava mostrar-se politicamente unida e forte. A construção
de uma nova capital, localizada no centro geográfico
do Estado, poderia facilitar o equilíbrio das diversas
facções políticas que então disputavam
o poder. Os republicanos também desejavam promover o
progresso de Minas Gerias, tornando-o um Estado industrializado
e moderno. A cidade de Ouro Preto não oferecia condições
adequadas para o crescimento econômico esperado. Os transportes
e as comunicações eram dificultados pelo relevo
acidentado da cidade e as estruturas de saneamento e higiene
não comportavam mais um aumento da população.
A construção de uma nova capital, planejada de
acordo com essas exigências era a solução
para o problema do crescimento. Um outro fator contribuiu para
fortalecer a idéia de mudança. Ouro Preto, cidade
histórica, guardava em sua arquitetura uma série
de símbolos e marcas do passado colonial que os republicanos
queriam enterrar. com suas ruelas e becos, suas igrejas barrocas
e suas casas, porões e senzalas, a velha capital lembrava
os anos da dominação portuguesa, das conspirações
e da escravidão. Uma nova cidade, planejada segundo os
valores modernos, seria o símbolo de uma nova era. Em
1891, o presidente do Estado, Augusto de Lima, formulou um decreto
determinando a transferência da capital para um lugar
que oferecesse condições precisas de higiene.
Adicionada à Constituição Estadual, a lei
provocou muitos protestos da população ouropretana.
Os mineiros dividiram-se entre os "mudancistas", favoráveis
à nova capital, e os "não-mudancistas".
Cada um desses grupos fundou seu jornal, promovendo reuniões
e debates. O Governo Estadual, enfrentando essas disputas, criou
um Comissão de Estudos para indicar, dentre cinco localidades,
a mais adequada para a construção da nova cidade.
O Congresso mineiro, a quem cabia a decisão final, votou
a favor de Belo Horizonte. Assim, a 17 de dezembro de 1893,
a lei n.º 3 foi adicionada à Constituição
Estadual, determinando que a nova sede do Governo fosse erguida
em Belo Horizonte, chamando-se Cidade de Minas. No prazo máximo
de quatro anos, a capital deveria ser inaugurada. A lei criava
ainda a Comissão Construtora, composta de técnicos
responsáveis pelo planejamento e execução
das obras. Em sua formação, estavam alguns dos
melhores engenheiros e arquitetos do país, chefiados
por Aarão Reis.
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O Planejamento
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O
traçado da cidade e a exclusão social
Uma
cidade ordenada, funcionando como um organismo saudável
e esse era o objetivo dos engenheiros e técnicos que
idealizaram Belo Horizonte. Para alcançá-lo, era
necessário projetar um cidade física e socialmente
higiênica,uma cidade saneada, livre de doenças,
mas também livre de desordens e revoluções.
O projeto criado pela Comissão Construtora, finalizado
em maio de 1895, inspirava-se no modelo das mais modernas cidades
do mundo, como Paris e Washington. Os planos revelavam algumas
preocupações básicas, como as condições
de higiene e circulação humana. Dividiram a cidade
em três principais zonas: a área central urbana,
a área suburbana e a área rural. No centro, o
traçado geométrico e regular estabelecia um padrão
de ruas retas, formando uma espécie de quadriculado,
Mas largas, as avenidas seriam dispostas em sentido diagonal.
Esta área receberia toda a estrutura urbana de transportes,
educação, saneamento e assistência médica.
Abrigaria, também, os edifícios públicos
dos funcionários estaduais. Ali também deveriam
se instalar os estabelecimentos comerciais. Seu limite era a
Avenida do Contorno, que naquela época se chamava de
17 de Dezembro. A região suburbana, formada por ruas
irregulares, deveria ser ocupada mais tarde e não recebeu
de imediato a infra-estrutura urbana. A área rural seria
composta por cinco colônias agrícolas com inúmeras
chácaras e funcionaria como um cinturão verde,
abastecendo a cidade com produtos hortigranjeiros. A implantação
de tão grandioso projeto tinha, porém, uma exigência:
a completa destruição do arraial que ali se localizava
e a transferência de seus antigos habitantes para outro
local. Rapidamente, os horizontinos tiveram suas casas desapropriadas
e demolidas, sendo-lhes oferecidos novos imóveis a um
preço muito alto. Sem condições de adquirir
os valorizados terrenos da área central, eles foram empurrados
para fora da cidade, indo se refugiar em Venda Nova ou em cafuas
na periferia. A capital traçada pela Comissão
Construtora era um lugar elitista. Seus espaços estavam
reservados somente aos funcionários do Governo e aos
que tinham posses para adquirir lotes. Acreditava-se que os
problemas sociais, como a pobreza, seriam evitados com a retirada
dos operários, assim que a construção da
cidade estivesse concluída. Mas, na prática, não
foi isso que aconteceu. Belo Horizonte foi inaugurada às
pressas, estando ainda inacabada. Os operários, aglomerados
em meio às obras, não foram retirados e, sem lugar
para ficar, assim como os horizontinos, formaram favelas na
periferia da cidade. A primeira, a do Leitão - ficava
nas proximidades do atual Instituto de Educação,
em plena Avenida Afonso Pena. Essa massa de trabalhadores que
não eram considerados cidadãos legítimos
de Belo Horizonte revelava o grau de injustiça social
existente nos seus primeiros anos de vida.
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Os Primeiros Anos
|
A
cidade do tédio
Belo
Horizonte foi inaugurada a 12 de dezembro de 1897, por uma exigência
da Constituição do Estado. Entretanto, parte de
suas construções não havia sido concluída
e algumas de suas ruas e avenidas eram apenas "picadas"
abertas no meio do mato. A crise econômica que tomava
conta do país e do Estado tinha feito com que muitas
obras ficassem paralisadas, à espera de recursos. O comércio
e a indústria ligada à construção
civil, que tinham se desenvolvido bastante nos anos anteriores,
agora enfrentavam dificuldades. A cidade não se industrializou
no ritmo que se esperava e permaneceu sem atividades econômicas
expressiva durante anos. Os trabalhadores foram os mais prejudicados
e os que não perderam o emprego tiveram seus salários
atrasados durante meses. Tudo isso contribuía para tornar
a Capital uma cidade entediante e sem graça. Sua aparência
inacabada e empoeirada dava a impressão de abandono.
As ruas e avenidas largas demais para uma população
não muito numerosa pareciam estar sempre vazias. Para
piorar a situação, as diversões eram poucas
e não conseguiam espantar a decepção e
a tristeza dos primeiros habitantes. Na área central,
a Rua da Bahia era território de elite. Nela, ficava
o único teatro da cidade, o Soucasseaux, uma espécie
de um barracão coberto de zinco, onde se apresentavam
companhias de teatro e música e onde se improvisava um
botequim. Nessa rua também ficavam os principais bares
e cafés, lugar onde os homens se encontravam para conversar,
falar de política e da vida. Ao anoitecer, a rua virava
palco para o footing (moças e rapazes desfilavam, trocando
olhares, numa espécie de namoro bem comportado). Na tentativa
de espantar o tédio, os jovens fundavam clubes como o
Rose, o Violetas, o dos Jardineiros do Ideal, o Santa Rita Durão
e o Elite. Além de festas e bailes, esses Grêmios
tinham a intenção de promover a literatura. Outros
clubes eram criados durante os carnavais e os mais famosos foram
os Matakins, os Diabos de Luneta e os Diabos de Casaca, que
promoviam festas, desfiles de carros alegóricos, batalhas
de confetes, serpentinas e, é claro, lança-perfume.
O Parque Municipal (na época quatro vezes maior) era
muito freqüentado nos fins-de-semana. Ali, a sociedade
encontrava espaço para praticar esportes, passear ou
fazer piqueniques, enquanto bandas tocavam "retretas".
Também era lá que as paróquias comemoravam
datas religiosas, com quermesses e barraquinhas. A população
pobre e os operários, contudo, não tinham acesso
a essas formas de lazer. Preferiam os botequins nos bairros,
os jogos de bola e a tômbola, uma espécie de bingo
onde os prêmios não valem dinheiro. É que
eles viviam em locais distantes do centro e sua condição
financeira os impedia de participar das diversões pagas.
Além disso, na área central eles eram alvo fácil
da polícia, que, por causa de um simples passeio, podia
prendê-los, alegando "vadiagem".
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Progresso em marcha lenta
Nas
duas primeiras décadas deste século, Belo Horizonte
viveu, alternadamente, períodos de grande crise e surtos
de desenvolvimento. As fases de maior crescimento corresponderam
aos anos de 1905, 1912-13 e 1917-19. Aos poucos, pequenas fábricas
começaram a funcionar na cidade, ampliou-se o fornecimento
de energia elétrica, retomaram-se as obras inacabadas,
expandiram-se as linhas de bonde, criaram-se praças e
jardins e a cidade ganhou arborização. O número
de empregos cresceu e a Capital passou a atrair mais habitantes.
A vida social também começou a se agitar, com
a substituição do teatrinho Soucasseaux pelo elegante
Teatro Municipal (1909) e com a inauguração de
diversos cinemas. Freqüentar as salas dos cine-teatros
Colosso, Comércio, Familiar, Progresso, Bijou e Paris
tornou-se não só uma obrigação para
os belo-horizontinos, como também um pretexto para encontros
e conversas. Nessa época em que cinema fazia muito sucesso,
nasceu o gosto do belo-horizontino pela moda, com famosas costureiras
imitando os modelos vestidos pelas atrizes mais conhecidas.
Foi também com o crescimento da cidade que a massa de
trabalhadores começou a lutar contra as injustiças
sociais. A primeira grande greve ocorreu em 1912 e paralisou
a cidade por 15 dias. Liderado por trabalhadores da construção
civil, que defendiam uma jornada de trabalho de oito horas,
o movimento teve apoio de grande parte da população.
Mobilizando-se através de greves, os operários
conseguiram ser reconhecidos como cidadãos, com direito
a reivindicar melhores condições de trabalho,
educação, transporte, saúde e moradia.
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Anos 20 e 30
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A
poesia toma conta da cidade
Os
anos vinte marcam uma época romântica da história
da capital. Entre passeios de bonde e sessões de cinema,
entre conversas nos cafés e o footing, a vida seguia
alegre. Belo Horizonte era a "Cidade-Jardim" ou "Cidade
Vergel", onde o verde das árvores saltava das ruas
e invadia as casas, tomando quintais e pomares. Nesse período,
a capital viu nascer a geração de escritores modernistas
que iria se destacar no cenário nacional. Carlos Drumond
de Andrade, Cyro dos Anjos, Luís Vaz, Alberto Campos,
Pedro Nava, Emílio Moura, Milton Campos, João
Alphonsus, Abgar Renault e Belmiro Braga, reunidos no Bar do
Ponto, no Trianon ou na Confeitaria Estrela, eram rapazes inquietos
que mudaram o panorama da literatura brasileira. No campo das
artes e da cultura, a cidade experimentou um grande desenvolvimento.
Enquanto o Teatro Municipal vivia seus anos de glória,
novas salas de cinema eram inauguradas como os cines Pathê,
Glória, Odeon e Avenida. Em 1926, o maestro Francisco
Nunes fundou o Conservatório Mineiro de Música.
No ano seguinte, era criada a Universidade de Minas Gerais.
Em 1929, fundou-se Automóvel Clube, ponto de encontro
da elite belo-horizontina. Como um reflexo do fim da I Guerra
Mundial, em 1918, a indústria de Belo Horizonte ganhou
impulso na década de vinte. Os serviços urbanos
foram ampliados para atender a uma população sempre
crescente. Parecia, finalmente, que a modernidade tinha chegado
à Capital. Inauguraram-se grandes obra, como o viaduto
de Santa Tereza, a nova Matriz da Boa Viagem e o Mercado Municipal.
Os automóveis circulando pelas ruas tornaram-se comuns,
exigindo a criação de um código de trânsito
e da primeira auto-escola. Surgiram também os auto-ônibus,
complementando p serviço dos bondes. Como prova do desenvolvimento
e do prestígio, Belo Horizonte recebeu a visita dos reis
da Bélgica, em 1920. Na ocasião, toda a Praça
da Liberdade foi reformulada, adquirindo o seu aspecto atual.
Em 1922, para comemorar os cem anos da Independência Brasileira,
a Praça 12 de Outubro passou a se chamar Praça
Sete de Setembro e ganhou o famoso "Pirulito", Essa
onda de progresso continuou ao longo da década de 30.
Na periferia, surgiram novos bairros. Cresceram nessa época
Lourdes, Barreiro, Nova Suíça, Gameleira, Renascença,
Sagrada Família e Parque Riachuelo. Muitas favelas também
começaram a se formar. A expansão da cidade aconteceu
sem um maior controle ou planejamento e isso trouxe sérios
problemas urbanos. Muitos dos novos bairros não possuíam
os serviços básicos de água, luz e esgotos.
Enquanto isso, o centro permanecia relativamente vazio. Na arquitetura,
surgiram novidades: o primeiro edifício de dez andares
e um novo estilo de fachadas, como a do Cine Brasil. A Revolução
de 3 de outubro de 1930, que levou Getúlio Vargas ao
poder, também marcou a história da cidade. Tomada
de surpresa, a população assistiu à troca
de tiros entre revolucionários e as forças federais,
no cerco ao Quartel do 12º RI. Nos anos seguintes, a ditadura
do Estado Novo traria o fechamento do Poder Legislativo, o controle
da imprensa e o clima tenso da repressão. Como conseqüência
da política de modernização da economia
implantada por Vargas, as bases para o desenvolvimento industrial
da cidade foram lançadas, criando-se a zona industrial
de Belo Horizonte. Dois acontecimentos importantes na década
foram o 2º Congresso Eucarístico Nacional, em 1936,
que reuniu milhares de católicos na Praça Raul
Soares, e a Exposição de Arte Moderna, no mesmo
ano. O período viu, ainda, nascerem as duas primeiras
rádios da cidade a Rádio Mineira (1931) e a
Rádio Inconfidência (1936). Com seus programas
de auditório, transmitidos ao vivo, elas viveriam seus
anos dourados na década seguinte. A capital começava
a amadurecer.
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Anos 40 e 50
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Nasce
uma moderna metrópole
Os
anos quarenta trazem a modernidade e dão um ar de metrópole
à Belo Horizonte. Nessa época, a capital ganhou
várias indústrias, abandonando seu perfil de cidade
administrativa. O impulso para isso foi dado pela criação
de um Parque Industrial, em 1941. O setor de serviços
também começou a crescer com o fortalecimento
do comércio. O centro da cidade tornou-se, então,
uma área valorizada, principalmente para a construção
de edifícios, e passou a sofrer a especulação
imobiliária. O grande responsável pela transformação
de Belo Horizonte foi o prefeito Juscelino Kubitschek. Com o
objetivo de renovar a capital, promovendo um surto de desenvolvimento
e modernização, JK realizou diversas obras que
projetaram internacionalmente o nome da cidade. A mais importante
delas foi o Complexo Arquitetônico da Pampulha inaugurado
em 1943. Desenhado pelo jovem arquiteto Oscar Niemeyer, o complexo
era formado por quatro obras principais: a Igreja de São
Francisco de Assis, a Casa do Baile, o Cassino e o Iate Golf
Clube, instaladas às margens da lagoa artificial. Com
suas linhas originais e modernas, Oscar Niemeyer fez da Pampulha
um dos maiores exemplos da arquitetura modernista brasileira.
Também foi uma iniciativa de Juscelino Kubitschek, a
construção de um conjunto habitacional no bairro
São Cristóvão, localizado na Avenida Antônio
Carlos, que, na época se chamava Avenida Pampulha. O
Conjunto IAPI (Instituto de Aposentadorias e Pensões
dos Industriários), como foi denominado, surgiu como
uma alternativa para o problema da moradia na cidade e como
uma tentativa da Prefeitura de ordenar a região da Lagoinha.
Em 1941, também com projeto de Oscar Niemeyer, o Palácio
da Artes começou a ser construído. Um pouco mais
tarde, já no final da década, um outro marco na
arquitetura da capital seria inaugurado: o Edifício Acaiaca,
na Avenida Afonso Pena. Com sua fachada de linhas retas e sóbrias,
onde se destacavam as faces de dois índios, o Acaiaca
era o maior e mais moderno prédio de Belo Horizonte,
com os elevadores mais velozes da cidade. Nessa época,
ainda aconteceu a construção do Teatro Francisco
Nunes (1949), no Parque Municipal, e da primeira estação
rodoviária da cidade. Se a marca dos anos 40 foi a modernização
da arquitetura da cidade, os anos 50 ficariam conhecidos como
a década da indústria, em razão do surto
de desenvolvimento alcançado pela capital. A criação
da Cemig, em 1952, e o desenvolvimento da Cidade Industrial,
nas proximidades de Belo Horizonte (Contagem) são dois
fatores que explicam esse crescimento. Nessa década,
caracterizada pelo grande êxodo rural, a população
da cidade dobra de tamanho, passando de 350 mil para 700 mil
habitantes. Surgem novos bairros, como o Sion e o São
Pedro. Uma nova avenida é aberta, sendo chamada de Cristiano
Machado. Os problemas urbanos e a falta de moradia tornam-se
mais graves. Preocupado com o crescimento desordenado da cidade,
o prefeito Américo René Gianetti dá início
à elaboração de um Plano Diretor para Belo
Horizonte. A cidade torna-se vertical com uma série de
prédios cada vez mais altos sendo construídos.
É dessa época o Edifício Clemente Faria,
feito para ser a sede do Banco Lavoura (atual Banco Real), na
Praça Sete. Projetados por Oscar Niemeyer, o Edifício
JK, o Edifício do Bemge, o prédio do Colégio
Estadual Milton Campos (atual Estadual Central), o Edifício
Niemeyer e a sede da Biblioteca Pública Estadual são
belos exemplares da arquitetura moderna caracterizados pela
simplificação de formas e pelo uso de esquadrias
metálicas, concreto, vidros e revestimentos de mármores
e pastilhas. Foi nos anos 50 que a cidade passou a ser influenciada
pelo estilo de vida americano. Aquela era a época das
grandes orquestras, que faziam sucesso não apenas no
rádio, como também na recém-inaugurada
TV Itacolomi. Nas boates e nos clubes cada vez mais numerosos
tinham lugar as "horas dançantes" e os bailes
de gala. Já para a população mais pobre,
a diversão acontecia mesmo na rua, proporcionada pelas
apresentações do cine grátis.
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Anos 60 e 70
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O
progresso avança pela cidade
O
crescimento econômico transformou o perfil de Belo Horizonte
na década de 60. Sem respeito pela memória da
cidade, o progresso avançou sobre suas ruas, demolindo
casas, erguendo arranha-céus, derrubando árvores,
cobrindo tudo de asfalto. Já não era possível
reconhecer a "Cidade-Jardim" que tanto encantara os
poetas; a cidade verde tinha ficado no passado. Era preciso
desafogar o trânsito e as avenidas rasgavam cada vez mais
o tecido da cidade. Até o "Pirulito" foi retirado
da Praça Sete, como parte das transformações
radicais, e foi deixado no Museu Abílio Barreto. A descaracterização
da cidade fez-se sem remorsos. Se os espaços verdes desapareciam,
se a beleza das antigas construções era transformada
em pó, em seu lugar surgiam edifícios modernos,
novas e novas indústrias. Os anos 60 foram marcados pelo
crescimento das indústrias e das instituições
financeiras. Nessa época, Belo Horizonte começou
a irradiar seu crescimento e suas cidades vizinhas também
receberam muitos investimentos e fábricas. Esse progresso,
contudo, não se fez sem o agravamento das desigualdades
e problemas sociais. O surgimento de inúmeras favelas
comprova o desequilíbrio causado pela concentração
de renda.Mas, não foi somente o desenvolvimento econômico
que modificou a rotina de Belo Horizonte. A instauração
da ditadura militar, após o Golpe de 64, também
levou a população às ruas. Primeiro foram
as mulheres católicas que com seus terços em
punho, apoiaram o "movimento que nos livrara do perigo
comunista". A manifestação foi denominada
a "Marcha da Família com Deus pela Liberdade".
Mais tarde, vieram os estudantes dessa vez, protestando contra
a falta de liberdade, o desrespeito aos direitos humanos e constitucionais.
Inúmeras vezes, a Praça Sete assistiu à
multidão ser dispersada com bombas e a prisão
de manifestantes. Em 1978, seria a vez da campanha pela anistia
dos presos políticos mobilizar os belo-horizontinos.
Na década de 70, a cidade era o próprio retrato
do caos. Com um milhão de habitantes, belo Horizonte
continuava crescendo desordenadamente. Nas regiões norte
e oeste e nos municípios vizinhos, com a criação
de distritos industriais e a instalação de empresas
multinacionais, a população tornou-se cada vez
mais densa. Na tentativa de resolver os problemas causados pela
falta de planejamento, foram tomadas várias medidas:
criou-se o Plambel e instituiu a Região Metropolitana
de Belo Horizonte. A política de crescimento econômico
acelerado, porém não resolvia os problemas sociais.
A crise prolongada e os baixos salários levaram a população
mais uma vez às ruas, já no final da década.
Professores da rede pública e operários da construção
civil, paralisando a cidade na greve de 1979, mostraram seu
descontentamento com relação aos problemas econômicos
e sociais, mas também em relação ao regime
militar.
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Anos
80 e 90 |
Os
cidadãos redescobrem Belo Horizonte
A
chegada dos anos 80 marcou o início de uma mudança
nas relações do belo-horizontino com sua cidade.
O crescimento desordenado e os problemas de perda de importantes
marcos da história de Belo Horizonte, a degradação
ambiental e as desigualdades sociais, foram pouco a pouco, tornando-se
algumas das maiores preocupações dos cidadãos.
A consciência de que é preciso cuidar da cidade,
ao mesmo tempo permitindo seu desenvolvimento e garantindo a
qualidade de vida de seus habitantes, difundiu-se cada vez mais
entre a população. Foi ao longo da década
de 80 que o belo-horizontino redescobriu o espaço das
ruas, fazendo dele o palco de suas manifestações,
de seus protestos e de suas artes. Em 1980, milhares pessoas
tomaram a Avenida Afonso Pena e a então Praça
Israel Pinheiro (hoje, Praça do Papa) para receber o
próprio Papa João Paulo II. Em 83, diversas entidades
e cidadãos saíram às ruas para protestar
contra a demolição do prédio do Cine Metrópole,
defendendo seu tombamento pelo Patrimônio Histórico.
Em 84, a multidão lotou a Praça da Rodoviária
para dar força à campanha "Diretas Já",
participando do comício que reuniu nomes como Tancredo
Neves, Ulisses Guimarães, Brizola e Lula. Um ano depois,
os mesmos manifestantes chorariam a morte do recém-eleito
presidente Tancredo Neves, acompanhando seu velório no
Palácio da Liberdade. Mais recentemente, em 92, seria
a vez dos jovens "cara-pintadas" protestarem contra
a corrupção e exigirem o impedimento do presidente
Fernando Collor. Uma mentalidade diferente daquela que orientou
o crescimento nas décadas anteriores começava
a surgir. As obras realizadas na cidade ganharam nova direção.
Em 1981, adotou-se um novo sistema de transporte, na tentativa
de melhorara situação do trânsito na cidade.
Foi iniciada a implantação do metrô de superfície
como uma alternativa rápida, segura e menos poluente
para o transporte de massa. Em 84, a canalização
do Ribeirão Arrudas, que está sendo concluída
agora em 1997, pôs fim ao problema das enchentes que todos
os anos causava prejuízos ao centro da capital. A memória
da cidade começou a ser mais valorizada, com o tombamento
de vários edifícios de importância histórica.
A população ganhou, ainda, diversos espaços
de lazer, como o Parque das Mangabeiras, inaugurado em 82, e
o Mineirinho. A área de saúde também experimentou
grandes avanços com a redução do número
de casos de poliomielite e tétano, graças às
campanhas de vacinação infantil. Ainda assim os
problemas não desapareceram. A Pampulha, um dos principais
cartões-postais da cidade, era uma lagoa praticamente
morta, tão poluída estavam suas águas.
Uma praga de aguapés havia tomado conta de quase toda
a superfície da lagoa, reproduzindo-se descontroladamente
e provocando um desequilíbrio ecológico. Na década
atual, a valorização do espaço urbano teria
continuidade. Em 1990, a Lei Orgânica do Município
foi aprovada, trazendo avanços em diversos setores sociais.
Em 92, criou-se o Conselho Deliberativo do Patrimônio
Cultural do Município para tratar do tombamento de construções
de valor histórico. Espaços como a Praça
da Liberdade, a Praça da Assembléia e o Parque
Municipal, que se encontravam abandonados e desvalorizados,
foram recuperados e a população voltou a frenqüentá-los
e a cuidar de sua preservação. Em 96, o Plano
Diretor da cidade e a Lei de uso e Ocupação do
Solo passaram a regular e ordenar o crescimento da capital.
A cultura passou a ser valorizada como um instrumento de conquista
da cidadania. Assim, surgiram inúmeros projetos com o
objetivo de popularizar a arte. O Grupo de Teatro Galpão
é um dos que levam seus espetáculos às
ruas. Com ele surgiu a iniciativa do Festival Internacional
de Teatro Palco e Rua. Na dança, há os exemplos
dos grupos 1º Ato e Corpo. Na música, o Coral Ars
Nova, já se apresentou em todos os continentes e venceu
diversos concursos internacionais de coros, e o Grupo Uakti,
principal grupo de música instrumental e experimental
do Brasil.
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